Açores

Linha do Porto de bitola larga

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Por volta de 1961 o Dr. Fritz Stöckl fez uma viagem (com a sua esposa e filho) com um navio a vapor da "Empresa Insulana de Navegação" que ligou numa viagem circular de 17 dias todos os Açores e a Madeira. Em Ponta Delgada descobriram carris e vagões no molhe. Após desembarcarem, Stöckl mediu ele próprio a bitola: 7 pés / 2134 mm! A bitola que tinha sido preferida por Brunel no século XIX em Inglaterra e durante várias décadas foi competetiva com a de 1435 mm até esta ficar a ser a bitola padrão.

Stöckl e a sua família fizeram uma visita à ilha e tiveram de embarcar de novo, dado que o navio ia partir para a ilha seguinte. Quando o navio deixou o cais, de repente apareceu uma locomotiva a vapor no molhe. Mais tarde, Stöckl contactou as autoridades do porto de Ponta Delgada, os proprietários da linha de caminho de ferro: "Junta Autónoma dos Portos do Ponta Delgada". Estes confirmaram a bitola e forneceram mais informações.

A linha foi construída ao mesmo tempo que o molhe em 1861. Não servia de transporte público mas era apenas usada para a construção e manutenção do molhe. Para tal, havia 3 locomotivas a vapor e 39 vagões para trazer pedras de uma pedreira próxima até ao porto. A locomotiva a vapor no.1, construída em 1861 por Neilson & Co. (no. 697), foi a última das três que tinha vindo em segunda mão para os Açores e tinha sido antes usada para o mesmo fim em Holyhead. A No.2 foi construída por Black Hawthorn (no.766) algures entre 1880 e 1888 e a no.3 por Falcon (no.165) em 1888.

Fotografias e fonte de informação: Dr. Fritz Stöckl - Die Eisenbahnen der Erde, Band III, Spanien und Portugal - publicado na Áustria em 1962.

A linha só funcionava se necessário, para a manutenção do molhe. A última vez de que há registos foi em 1973. As locomotivas (pelo menos duas) estão ainda (Junho de 2002) armazenadas nas oficinas da "Junta Autónoma dos Portos do Ponta Delgada". Plinthed é um vagão para mistura de cimento. Ver página de Chris Brady: Broad Gauge on Azores.

 Autor: Ernst Kers. Tradução: Luís Almeida